Matéria do Jornal O Amarelinho sobre portaria virtual tem entrevista com Paulo Ferrari defendendo a categoria

Matéria do Jornal O Amarelinho sobre portaria virtual tem entrevista com Paulo Ferrari defendendo a categoria

Alguns condomínios residenciais estão abrindo mão de porteiros tradicionais e adotam a portaria virtual para economizar.

A rotina de Heberton Souza Amorim, 27 anos, mudou muito desde que passou a atuar como operador de portaria virtual há um ano e dois meses. Ele já tinha passado pela experiência de ser um porteiro local por sete anos em um condomínio de pouco movimento.

Amorim conta que seu dia a dia era de prestar atendimento aos moradores, visitantes e prestadores de serviços e fazia a triagem de veículos. Esta realidade mudou quando assumiu uma central de monitoramento a distância. “Está sendo uma experiência muito boa, porque está aprimorando meus conhecimentos e me deu oportunidade de atuar em uma área tecnológica, que para mim é bastante importante”, afirma.

Segundo Amorim, os procedimentos são parecidos e o que muda é a sensação de segurança que os operadores passaram a ter, pois não estão expostos a rendições. Sua adaptação foi tranquila. “Além do conhecimento de atendimento como porteiro local, fiz cursos e treinamentos do sistema gerencial de portaria virtual, monitoramento e atendimento, entre outros”, explica.

A portaria virtual pode ser uma ameaça à função de porteiro no futuro, mas por enquanto ela anda a passos curtos. O Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) diz que existem 50 mil condomínios comerciais, residenciais e mistos na cidade de São Paulo. Destes, especialistas estimam que cerca de mil prédios adotaram a tecnologia.

Um dos motivos é que as próprias empresas limitam em 40 o número de unidades por condomínio para a portaria virtual ser eficiente. Mesmo não se dispondo de uma estatística oficial de quantos porteiros já perderam o emprego com a adoção da tecnologia, é possível fazer uma conta simples. O Grupo Pro Security, por exemplo, já instalou cerca de 80 portarias virtuais. Como cada central de monitoramento atende em média cinco condomínios, são 16 estações, com 48 funcionários se revezando em turnos de oito horas. Com isso, das 240 vagas, 192 teriam sido eliminadas em teoria.

No entanto, segundo o diretor executivo Alexandre Paranhos, o Pro Security não demitiu os colaboradores. “Os nossos porteiros foram capacitados para esta operação ou foram destinados a novos postos de trabalho. Possuímos um centro de treinamento que, além dos cursos de formação semanais, disponibiliza mais de 20 outros de reciclagem e capacitação”, garante.

Contraponto

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo (Sindifícios), Paulo Ferrari, há controvérsias. Segundo ele, o único motivo pelo qual um condomínio opta pela portaria virtual é o financeiro. “Estamos tentando mostrar ao morador que a automação é uma ilusão, porque a economia elimina muitas outras coisas que um porteiro propicia, como levar uma criança da portaria até a perua escolar”, avalia.

Ferrari diz que o porteiro já conhece os hábitos dos moradores e de seus familiares. Ele lembra, ainda, que a população brasileira está envelhecendo e os idosos requerem um cuidado maior e mais próximo.

O presidente do Sindifícios diz que há 60 mil profissionais na cidade de São Paulo e, para ele, um porteiro qualificado é insubstituível. “Por isso, estamos mostrando a eles que precisam se capacitar, principalmente em tecnologia, se adaptando às novas realidades”, garante.