Esmola

Esmola

Esmola é o principal sintoma de políticas que reforçam a manutenção de privilégios de classe, perpetuando e aprofundando o abismo social públicas, em detrimento de políticas sociais e inclusivas.

Salta aos olhos no panorama dos 520 anos de história do Brasil. Uma história de opressores e oprimidos, cortada por tentativas de superação deste sistema injusto. Hoje, desde o governo de Michel Temer, vivemos, mais uma vez, uma política fincada no abismo social.

A crise econômica e a pandemia são os pretextos da vez para o poder executivo, por exemplo, amesquinhar-se e negar ao seu povo o que lhe é de direito, e que não é esmola: um auxílio emergencial decente.

A música é de 1994, do auge de uma década de desemprego e recessão como a que vivemos em 2020. Samuel Rosa canta: “Uma esmola ao que resta do Brasil” e “estou cansado de dar esmola” ao “ceguinho, menino, desempregado, preto pobre, mendigo, indigente”. Ou seja, cansado de dar esmola a uma população cronicamente carente, forjada em um desenvolvimento desigual, que já se tornou parte de uma triste paisagem.

Seus versos deixam claro que não se trata de uma situação pontual, mas sim de uma marca da nossa história. Uma marca que pode ser superada com uma verdadeira política de soberania e inclusão social: “Se o país não for pra cada um, pode estar certo, não vai ser pra nenhum”.

Esmola
(Intérprete: Samuel Rosa/Francisco Eduardo Fagundes Ama/1994)
Intérprete: Skank

Uma esmola pelo amor de Deus
Uma esmola, meu, por caridade
Uma esmola pro ceguinho, pro menino
Em toda esquina tem gente só pedindo
Uma esmola pro desempregado
Uma esmolinha pro preto pobre doente
Uma esmola pro que resta do Brasil
Pro mendigo, pro indigente
Ele que pede, eu que dou, ele só pede
O ano e mil novecentos e noventa e tal
Eu tô cansado de dar esmola
Qualquer lugar que eu passe é isso agora

Uma esmola pelo amor de Deus
Uma esmola, meu, por caridade
Uma esmola pro ceguinho, pro menino
Em toda esquina tem gente só pedindo
Uma esmola pro desempregado
Uma esmolinha pro preto pobre doente
Uma esmola pro que resta do Brasil
Pro mendigo, pro indigente
Eu tô cansado de dar esmola
Essa quota miserável da avareza
Se o país não for pra cada um
Pode estar certo
Não vai ser pra nenhum

Não vai não, não vai não, não vai não
No hospital, no restaurante,
No sinal, no Morumbi
No Mário Filho, no Mineirão
Menino me vê começa logo a pedir
Me dá, me dá, me dá um dinheiro aí!

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